Capítulo 6 – Harley Quinn

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Uma semana atrás.

-Não encontrei nada no banco de dados ao inserir a descrição do Estripador. Mas ao meu ver está claro que ele se trata de algum assassino de aluguel ou mercenário altamente treinado.

-Dada a gravidade de seus ferimentos, eu diria que não há dúvida sobre isso senhor. Alfred fala enquanto prepara-se para suturar a ferida no braço de seu patrão. Após um processo desinfetante, agora é hora de remendar o corpo.

-Ele era extremamente habilidoso e letal com facas e sabia utilizar explosivos. Não é o tipo de coisa que os criminosos comuns de Gotham sabem fazer. Mesmo que ele tenha afirmado não saber nada sobre o seqüestro de Fox, tudo parece se encaixar em um plano para me atrair até o metrô… para ser morto ou não, não importava. Bastava que eu ficasse fora do alcance dos seqüestradores.

-Tudo isso faz sentido mestre. E o tal Estripador não forneceu nenhuma informação, nenhuma pista?

-Não Alfred. Além do mais tive que tirá-lo de combate, antes de fazer mais perguntas. Eu precisava sair de lá o quanto antes. Preciso encontrar Fox. O que as câmeras de vigilância mostraram?

-Nada senhor. Apenas estática, diz Alfred enquanto olham para um dos monitores.

-Parece que usaram um PEM. Isso mostra o nível desses criminosos.

-Não há mais nenhuma informação útil, além do pouco que a polícia sabe e do que vimos no noticiário.

-Sim, por isso preciso falar com Gordon…

– O senhor precisa é descansar.

– Não posso. Enquanto a noite não cai, para o Batman poder sair, vou investigar mais a fundo o banco de dados e me preparar melhor. Não quero ser pego desprevenido novamente.

– Com certeza isso é algo que não combina com o senhor. Alfred fala enquanto dá pontos no braço de seu patrão. Depois de três anos ele já se acostumou com a ideia de incorporar cuidados médicos à sua rotina de trabalho.

Nesse momento um dos monitores ligados na televisão local de Gotham começa a transmitir um boletim sobre o incidente no metrô. Com um comando de voz o volume aumenta e se ouve:

-Até o presente momento a polícia não informou a identidade do homem que matou uma pessoa no metrô ontem a noite. Batman foi visto perseguindo o criminoso pelos túneis, mas nenhum dos dois foi visto saindo.

-Preciso agradecer Gordon por isso. Na verdade estou em dívida com ele. Esta farsa pode me dar uma grande vantagem, mas sei que ele não gosta de ir contra as regras.

-Só de falar com o Batman já é ir contra as regras.

-Eu sei, mas Gordon é uma das pessoas mais íntegras e honestas que conheço. Se quero tê-lo como aliado preciso atuar ao lado dele, como parceiro e não usá-lo.

-Concordo senhor. Algo que possa fazer por enquanto? Preparo algum equipamento específico?

-Sim Alfred. Prepare tudo.

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Hoje.

Após as últimas conversas que teve com Jonathan Arkham, uma desconfiança surgiu na mente de Bruce Wayne. Qual seria a alegada intromissão que seu pai teve na forma do doutor administrar o asilo? Isso acarretou em um ódio que se estende a ele?

Quando Bruce contou sobre sua conversa com Arkham para Alfred, ouviu algo que era inédito para ele até então. Tudo começou quando seu tataravô, Solomon e seu irmão Joshua vieram para Gotham. A cidade estava em amplo crescimento no inicio do século XIX e recebia novas famílias ricas a cada dia. Outra família a chegar lá foram os Arkham. Vindos de uma longa tradição de médicos e cientistas, eram considerados muito cultos, porém já em decadência financeira. Mas não havia dúvida de que em termos de tradição, eram as mais importantes de Gotham naquela época. Logo surgiu uma aproximação entre as duas famílias, mas não sem alguns atritos. Segundo o que Alfred narrou, a família Arkham apesar de ter sua fortuna em declínio, mantinha uma atitude aristocrática e até arrogante, que não combinava com o pensamento progressista e humilde de Solomon e Joshua. Apesar de não haverem registros oficiais, as lendas familiares indicam que houve discussões e desentendimentos principalmente entre Joshua, um reconhecido humanista e Amadeus Arkham, um homem pragmático, mas pouco afeito aos menos afortunados. Depois Joshua seria o responsável por criar a Fundação Wayne para ajudar os necessitados da cidade, algo que Amadeus achava um desperdício de dinheiro.

Essas rusgas permaneceram por um tempo, mas a próxima geração não tinha interesse em manter velhas tradições. Alan, filho de Solomon, estudou na Europa e formou-se em engenharia civil e arquitetura e voltou para Gotham com o desejo de reconstruir a cidade, trazendo a modernidade e a imponência que uma metrópole que florescia necessitava, para rivalizar com as outras grandes cidade do país. Assim Alan foi o responsável por criar o projeto do prédio principal do Asilo Arkham, primeira investida bem sucedida da família em Gotham, que com isso buscava recuperar o antigo prestigio e principalmente a fortuna. Depois de alguns anos Alan começou a apresentar profundos problemas psicológicos e tentou o suicídio. Na época seu pai optou por interná-lo para tratamento no asilo. Jeremiah Arkham, filho de Amadeus tinha outra visão de mundo e Solomon confiou o tratamento de seu filho a ele. Porém depois de um ano internado o estado de Alan parecia cada vez pior, com ele tentando o suicídio novamente. Esse incidente fez com que Solomon exigisse uma investigação dos métodos de tratamento que eram utilizados o que acarretou no fechamento do asilo.

Nada foi provado contra Jeremiah, mas a relação entre as famílias estava abalada novamente. De forma muito profunda. Alan foi retirado de lá e enviado para tratamento na Europa, onde se recuperou e posteriormente voltando a Gotham casou e teve um filho. Mas depois disso as duas famílias criaram um ódio mortal uma pela outra. O jovem Bruce tinha ouvido alguma coisa sobre esse passado longínquo, mas seu pai Thomas nunca quis que essas histórias contaminassem o julgamento do menino e não incentivava que fossem contadas. Até Alfred lhe revelar tudo isso, os detalhes eram desconhecidos para ele. Agora muita coisa fazia sentido. Mas a historia de Alfred não parou por aí. O filho de Alan, Kenneth assumiu a fundação Wayne e resolveu passar uma borracha no passado. Reabriu o asilo com forte investimento da fundação. Agora o asilo não era mais uma instituição particular e começou a receber criminosos insanos para tratamento. Elizabeth Arkham, filha de Jeremiah assumiu o controle da instituição. Deste ponto em diante tudo esta documentado nos arquivos da Fundação Wayne e é lá que Bruce vai buscar mais informações da ligação entre as famílias.

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Uma semana antes. A noite chega com a luz de uma lua cheia. No telhado da delegacia de Gotham dois aliados conversam.

-Aqui Batman, estes são os resultados preliminares da perícia. Gordon entrega um tablet para Batman, que analisa os dados em silêncio.

-O que você me diz? Pergunta Gordon. -Alguma pista de quem fez isso?

-Algumas. Mas diga qual sua opinião Gordon?

Após um suspiro, Gordon ergue as sobrancelhas e começa a falar.

-Pelo que foi averiguado até agora através de testemunhas, haviam pelo menos quatros furgões pretos e sem placas no local. Foram vários homens envolvidos, todos encapuzados. Não foi possível precisar quantos, mas devia haver pelo menos dez. As poucas testemunhas disseram que os furgões foram cada um para uma direção. Não sabemos em qual estava Fox. As imagens das câmeras da rua de Fox sofreram algum tipo de interferência e não captaram nada durante o seqüestro, mas creio que você já sabia disso.

Batman finge que não ouviu a observação de Gordon. O tenente é um homem inteligente e já deve ter percebido que ele tem acesso as câmeras de vigilância da cidade. Batman então fala suas impressões enquanto devolve o tablet para Gordon.

-De acordo com os dados o tiro que matou o segurança de Fox é quase impossível. Foi disparado de pelo menos cem metros. Mas o que impressiona é a precisão com que o atirador acertou a cabeça do homem, fazendo o tiro atravessar o para brisa do carro de Fox que estava na frente.

-Porque fazer isso? Porque esse exibicionismo?

-Para mostrar que eles podiam ter matado Fox, que eles tem recursos e habilidades para fazer o que quiserem. Eu creio que é uma mensagem para mim.

-Como assim? Qual seu envolvimento com Fox?

-Nenhum. Porém como lhe disse ontem, foi muita coincidência o incidente no metrô acontecer no momento do seqüestro. Eles estão ligados com certeza e ficou claro que eles me queriam no metrô. Aquilo foi apenas uma isca.

-Que acabou com a morte de um homem inocente. Se pode se dizer que houve sorte nisso tudo, é que a vitima não tinha família. Ninguém para chorar a falta dele.

-Mesmo assim isso é inaceitável.

Gordon suspira e ambos ficam em silêncio por um momento.

-Gordon, eu preciso lhe agradecer. Sei que é contra seus princípios mentir, mas creio que a farsa vai nos dar vantagem contra esses criminosos.

-Não tem problema. Eu não me importo de mentir pros urubus da imprensa. Então se os crimes do metrô estão ligados, os seqüestradores devem achar que você morreu lá embaixo.

-Sim, isso faz com que eu tenha o elemento surpresa. E o Estripador? Conseguiu algo dele?

-Nada. Nem que ele quisesse poderia falar. Você literalmente quebrou a mandíbula dele. Vai ficar um bom tempo no hospital antes de ir pra cadeia.

-Eu sinto muito…

-Não sinta. Não pense que julgo você pelo que fez. Aquele assassino merecia algo bem pior. Porém não vamos poder obter informações dele. E você sabe algo sobre esse Estripador?

-Somente que é um mercenário bem treinado. Não sei sua identidade e nem de onde veio.

-Então ele foi contratado por alguém. Mas quem teria acesso a esse tipo de criminoso?

-Desconfio de uma nova geração do crime organizado surgindo em Gotham e eles podem ser os responsáveis por tudo isso.

-Como eu lhe disse a um ano, não creio que vamos eliminar o crime para sempre, mas estamos fazendo um bom trabalho. Se eles voltarem, nós os pegamos de novo.

Batman não esta tão confiante sobre isso no momento, mas não quer dar essa impressão para Gordon. Enquanto isso o tenente procura seu maço de cigarros dentro do sobretudo. Nesse momento Batman recebe uma mensagem através do comunicador embutido em seu capuz. Gordon percebe isso e fala:

-O que houve Batman? Algo para compartilhar?

-Gordon tenho uma boa notícia. Mas vou precisar de toda a sua ajuda.

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A busca pelos arquivos antigos da Fundação não foi muito recompensadora. Bruce sabia que não encontraria uma pista explícita, mas tinha esperança de localizar pelo menos uma pequena migalha que apontasse como era a relação entre seu pai e Jonathan Arkham.

Thomas Wayne era um homem organizado. Tinha muitos afazeres diários como médico, filantropo e pai de família. Ele nasceu e cresceu sem um computador pessoal, então para ele não era necessário mais do que uma boa caneta e papel para agendar seus compromissos. Thomas não se preocupava muito com a Wayne Corporation, pois confiava plenamente no grupo de diretores que administravam a empresa. Porém ele tinha um carinho e um cuidado especial pela Fundação Wayne. Mesmo que sua esposa Martha fosse a diretora, Thomas nunca deixava de ocupar algumas horas de seu dia para atender as necessidades da fundação. Assim foi até o dia de sua morte, pois todas as suas ações ficavam registradas em agendas e documentos que ele assinava. E tudo isso está arquivado na biblioteca da mansão Wayne. Alfred lhe apontou as velhas caixas empoeiradas cheias de papéis, e deixou-o sozinho. Sozinho com a história, o passado de seu pai. Algo que certamente traria lembranças dolorosas, mas que precisava ser feito. O velho ressentimento entre as famílias, as coisas que aconteceram, podem ter ficado no passado. Mas Bruce sabe que as vezes o passado volta para assombrar o presente. Se o seu pai se encontrou com Arkham esses documentos vão ter que mostrar isso. Vai ser uma longa pesquisa.

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Em seu modo furtivo o Morcego paira no ar com as hélices de seu motor elétrico em baixa rotação, assim o atrito das pás contra o ar produz um ruído muito baixo. A desvantagem é que a velocidade fica extremamente reduzida. A uma distância de mais de cem metros e no escuro é quase impossível perceber sua presença, mas como hoje a lua cheia ilumina o céu é preciso manter uma distância um pouco maior do prédio onde Lucious Fox esta sendo feito prisioneiro. Circundando o local foi possível verificar através das câmeras infravermelhas do Morcego, que existem vinte homens armados montando guarda ao redor do prédio de três andares que abrigava uma fábrica anos atrás. Depois de abandonado o prédio foi delapidado e hoje os vidros das janelas estão quebrados, e só restaram algumas portas. Não há como precisar quantos homens estão dentro do prédio. Um certo grau de risco precisa ser assumido neste momento. Saindo do modo furtivo o Morcego avança rapidamente em direção ao prédio e começa a disparar dardos tranquilizantes e balas de borracha contra os guardas. Eles respondem com tiros de metralhadoras. O morcego tem uma blindagem para resistir a esses ataques, mas não por muito tempo, por isso é preciso continuar em movimento para não ser um alvo fácil. Na parte interna do edifício Drakken e Pistoleiro ouvem os disparos.

Parece que nossa presa chegou. Eu sabia que o Estripador não tinha dado conta dele, diz Drakken para Pistoleiro.

-Ótimo. A lua está perfeita para caçar.

Os dois e mais seis homens chegam próximos a uma janela e vêem o Morcego abater os guardas uma a um. Começam a atirar imediatamente. Menos Pistoleiro. Ele calmamente se abaixa e retira uma arma de uma grande mochila, e começa a montála. Quando termina faz a mira e lança um míssil antiáereo que atinge em cheio o Morcego. A aeronave se transforma em uma grande bola de fogo descendente e se choca no chão com um grande estrondo.

-Temo ter sido abatido senhor.

-Ok caverna,  já encontrei Fox. Desligo.

Enquanto Alfred pilotava o Morcego remotamente Batman se infiltrou no prédio. Agora ele está nas escadas que dão acesso a uma grande sala onde Fox esta amarrado bem no centro. Quatro homens guardam os cantos da sala. Agora e preciso agir muito rápido. Batman ataca o que esta mais próximo dele com uma espécie de shuriken em forma de morcego embebido em um forte tranqüilizante. O homem deve dormir por mais de oito horas. O barulho da queda do capanga chama a atenção dos outros. Dois se aproximam e um vai em direção a Fox. Batman sai das sombras e antes que o capanga mais próximo possa atirar é atingido com um soco de direita no queixo, enquanto Batman o desarma com a mão esquerda. Um chute giratório e ele cai. O terceiro começa a atirar. Batman solta uma bomba de fumaça para camuflar seus movimentos e confundir o bandido. É preciso derrubá-lo logo, Fox não pode ser atingido por esses tiros a esmo. Aproveitando-se da fumaça Batman se aproxima do homem e o derruba com uma rasteira, em seguida o nocauteia com três socos no rosto. O capanga apontando uma arma para Fox grita alguma coisa. O segundo homem se levanta, mas esta sem rumo em meio a fumaça, Batman aproveita e aplica uma voadora na cabeça dele. Só resta um agora. A fumaça já esta baixando e em meio a ela surge a figura coberta com uma capa mais negra do que a noite.

-Largue essa arma e você terá uma chance de sair daqui andando, diz Batman com sua voz sinistra.

-Não se aproxime, ou eu atiro. Nem chega perto ou o magnata aqui vai virar peneira.

-Estou lhe dando uma chance, tenha bom senso seu animal.

-Você vai fazer o que? Eu sei que você não mata.

-Depois que eu terminar com você, seu desejo vai ser de ter morrido. Batman rosna a frase.

Nesse momento o bandido exita, por medo e abaixa um pouco a arma. E a deixa para Batman lançar uma esfera de ferro na testa do homem, que cai inconsciente.

Enquanto isso do lado de fora Drakken, Pistoleiro e seus homens se aproximam do que restou do Morcego. Quando a fumaça e o fogo baixam eles percebem que não havia ninguém lá dentro.

-Desgraçado. Fomos enganados, voltem lá pra dentro. Agora! grita Drakken. Nessa hora luzes ao redor dos homens se acendem e um grito ecoa.

-Parados, polícia. Larguem suas armas imediatamente.

-Pistoleiro já tinha visto a polícia se aproximando graças ao seu olho aprimorado e corria em direção ao prédio. Drakken demorou um pouco mais pra reagir, mas também correu. Os outros capangas obedecem a polícia. Tiros são disparados em Drakken e Pistoleiro, mas eles são rápidos e já estão longe.

Dentro do prédio Fox e Batman chegam ao térreo. Drakken os surpreende na porta para qual se dirigiam. Batman empurra Fox para o lado e começa a lutar com Drakken. No primeiro golpe Batman é atingido no braço ferido pelo Estripador. Será que ele sabia onde devia acertar? Pensa Batman.

Mas não há tempo para considerações. A luta entre ambos é ferrenha. Drakken não é tão bem treinado em luta corpo a corpo como o Estripador, porem é igualmente rápido e ágil. E mais forte. Batman tem muito mais conhecimento em artes marciais, porém esta debilitado. Ele precisa de uma vantagem.

Fox, corra pra saída, grita Batman, no momento em que joga uma bomba de luz. O clarão é cegante e Drakken fica sem defesa por três segundos, tempo suficiente para Batman lhe atingir com um chute usando toda sua forca. O golpe derruba Drakken, mas não o desmaia. Batman se prepara e Drakken parte para cima dele. Com um movimento rápido desvia do golpe, mas quando olha para o mercenário vê sangue jorrando de seu pescoço. Batman já sabe o que aconteceu e rapidamente se abaixa atras do corpo de Drakken que ainda está de pé. Mais cinco tiros são disparados e acertam as costas do morto. Pistoleiro deve ter escalado pelo lado de fora e agora esta atirando das escadas um nível acima, pensa Batman. Ainda usando o corpo de Drakken como escudo Batman pensa em como reagir agora. Ele está em desvantagem. Nada acontece, apenas silêncio. De repente o estrondo de uma arma de grosso calibre e Batman sente um baque em seu peito que o joga contra uma parede. A arma do Pistoleiro é tão poderosa que o tiro atravessou o corpo de Drakken e a sua mira é tao perfeita que Batman foi atingido mesmo sem poder ser visto. Se não fosse a placa de kevlar reforçada em seu peito, Batman estaria morto. Porém o impacto foi muito forte e Batman está completamente atordoado. A situação se complica. Mesmo com todas as chances contra si, algo acontece. A polícia chega no local. Mandam que Pistoleiro largue a arma, mas obviamente ele não obedece. Sai correndo escada acima com alguns policiais do pelotão especial atrás dele.

Gordon entra na sala e se aproxima de Batman, que começa a se levantar com dificuldade.

-Santo Deus Batman, você…

-Não se preocupe Gordon, o sangue não é meu.

-A operação foi um sucesso, Fox esta são e salvo, diz Gordon enquanto ajuda Batman a levantar. Na porta do prédio Lucious Fox acena para Batman com um leve movimento de cabeça.

Duas horas depois, na caverna. Bruce recebe tratamento médico de Alfred. Após a luta com Estripador, seu patrão estava debilitado, mas não com gravidade. Porém agora ele tem duas costelas fraturadas. Alfred insiste que ele procure alguém mais qualificado para um tratamento mais adequado. Mas a força de vontade de Bruce é proporcional a sua teimosia. Alfred percebe que Bruce tem um assunto que parece lhe preocupar muito mais que algumas costelas quebradas. Então ele desiste e ouve seu patrão.

-Alfred você, entre todos é a pessoa em que mais confio. Por isso preciso ser sincero com você e espero que me desculpe.

-Do que esta falando mestre?

-Eu vou lhe contar como descobri a localização de Crane e muito mais.

Alfred apenas olha atentamente para seu patrão com a expressão muito séria.

-Quando eu prendi Crane, ele estava acompanhado de um capanga, Soto. Mas ele não fugiu na confusão. Eu o retirei de dentro da casa pegando fogo. Depois que ele acordou o interroguei e descobri que ele na verdade é um criminoso conhecido apenas como Face Falsa.

-Face Falsa? Quem é esse?

-Alguns achavam que ele era uma lenda. Nem eu sei sua verdadeira identidade, mas o fato é que ele existe. Foi fácil nocautea-lo, pois ele não é nenhum perito em luta. Sua especialidade é infiltração, espionagem e principalmente disfarces. Ele estava trabalhando para Cobblepot e a mando dele se infiltrou no grupo de Crane. Seu objetivo era conseguir informações ou convencer Crane a se juntar ao grupo de Cobblepot.

-Mas que grupo?

-Algumas semanas atrás Cobblepot reuniu uma série de criminosos que possuem, digamos, habilidades e conhecimentos especiais. Face Falsa era um deles. Assim como Pistoleiro, Pamela Isley e Jonathan Crane. A proposta de Cobblepot para eles era de unirem forças para me matar. Segundo Face Falsa, Cobblepot tem sim atividades ilegais em Gotham, apesar de muito bem camufladas por enquanto. Pistoleiro trabalha para Cobblepot. Sobre Crane já sabemos. Sobre Pamela Isley, ainda preciso descobrir mais. Mas não é disso que quero falar.

-Estou ouvindo senhor.

-Eu vi em Face Falsa uma oportunidade. Então fiz uma proposta para ele voltar para Cobblepot e me informar de tudo que ele descobrisse. Era isso ou ir pro hospital. E ele aceitou. Mas para garantir a sua fidelidade, ofereci dinheiro, o triplo que Cobblepot lhe pagava.

Agora Alfred esta surpreso, mas pensa que ainda não é hora de dar sua opinião sobre o assunto.

-Mas se ele devia levar Crane, o que ele não conseguiu, o que garante que Cobblepot não o mataria ao voltar fracassado?

-Cobblepot não é burro. Ele sabe que Face Falsa é único no que faz. Perto dele meu disfarce de Fósforos Malone é brincadeira de criança. Pela sua expressão percebo que nada disso lhe agrada Alfred. Mas vou contar tudo primeiro e fique a vontade para dar sua opinião.

Alfred continua sério e nada fala.

Face Falsa voltou para Cobblepot, que o deixou de lado esse tempo todo, apesar de continuar com ele na folha de pagamento. Por não estar a par de tudo, ele só descobriu sobre o sequestro de Fox a poucas horas e me passou a informação. Ele não sabia quem estaria lá, mas opinou que o Pistoleiro devia estar envolvido. A informação se provou correta. Eu sei que confiar em um criminoso nao é o que eu geralmente faria, mas Cobblepot não quer apenas me eliminar. Ele tem um plano maior. Mas isso é apenas conjectura, pois nem Face Falsa sabe dizer o que pode ser. Mas creio que em breve ele vai descobrir.

-Então o senhor vai continuar com isso?

-Eu contei para Fox como descobri o seu paradeiro e ele me incentivou a manter o espião. Eu tinha decidido encerrar com isso agora, mas o que ele me disse faz sentido. As informações que temos não são suficientes para levar Cobblepot a justiça. Não há provas materiais, não sabemos quais são exatamente suas atividades ilegais. Nem mesmo sua ligação com o sequestro pode ser provada. Enfim, se queremos acabar com seu negócio sujo precisamos saber mais. Por isso mantive o infiltrado.

Alfred baixa a cabeça e leva a mão ao queixo. Pensa por alguns instantes e fala.

-Bem, já deve ter ficado óbvio. Eu não concordo com nada disso. São vários motivos. Mas pelo menos um deles me surpreende.  O senhor confiar em um criminoso. Por mais dinheiro que ele ganhe e se tiver contado tudo para Cobblepot e lhe passou essa primeira informação correta apenas para ganhar sua confiança.

-Esse risco existe…

-Sem falar nas implicações morais. E onde esta o verdadeiro Soto, cujo qual ele se fazia passar? Não posso acreditar que ele esteja…

-Ele está vivo Alfred. Face Falsa o fez de refém, mas eu me certifiquei de que ele ficaria bem, porém ainda escondido. Face Falsa não é assassino.

Alfred suspira tristemente e diz:

-Eu relutei muito em lhe ajudar a três anos, quando o senhor teve a idéia de começar sua cruzada. Mas acabei entendendo e aceitando, mesmo que várias leis tenham sido quebradas no caminho. Fizemos tudo por um bem maior. Então eu consigo dormir com isso. Mas se associar a bandidos? Eu não sei, talvez seja demais para mim. Onde isso vai parar? Que outros limites o senhor vai ultrapassar?

Apenas o silêncio impera na caverna. Não há o que responder para Alfred.

-Só tenho uma pergunta. Porque invadir o escritório de Cobblepot? Foi tudo uma encenação?

-Nao. Eu já sabia do envolvimento de Crane, porém precisava ter certeza que Face Falsa não havia mentido. E outra coisa. Cobblepot não bancou a operação de Crane, foi outra pessoa. Ninguém sabe quem foi. Eu sinto muito ter escondido isso de você Alfred…

-Eu entendo perfeitamente senhor. Mesmo assim não concordo.

 

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A jovem doutora Harley Quinn é muito popular no Asilo Arkham. É querida tanto pelos funcionários como pelos internos. Sempre simpática, o sorriso surge fácil em seus lábios e ela sempre tem uma palavra agradável para os ouvidos de seus admiradores. Por outro lado poucos notam seu olhar calculista, sempre espreitando tudo e todos. Mas ela só lança esse olhar quando ninguém está a observando. Obviamente Quinn é muito mais do que um corpo e um rosto bonito, mas no momento é só disso que ela precisa.

-Boa noite guarda O’Connor. De serviço essa noite?

-Pois é. Hoje sou eu que cuido do cofre.

O cofre é como chamam a ala do Arkham onde ficam os pacientes mais perigosos ou que precisam de isolamento por sua patologia. Poucos tem acesso ao local e nos últimos meses o doutor Arkham restringiu o acesso apenas a ele mesmo.

-Deve ser tão tedioso e solitário montar guarda aqui não é? Quinn capricha no olhar meigo.

Faz parte do serviço doutora…

-Oh, por favor, somente senhorita Quinn…ou melhor, apenas Harley. Sou muito nova para essas formalidades.

-Ok. Mas em que posso lhe ajudar?

-Bem, é muito simples. Preciso dar uma palavrinha com o paciente um oito nove.

-Crane? Sinto muito, mas você sabe que ninguém pode entrar aqui. Ordens do doutor Arkham. Só ele entra. Se ele descobre que deixei você entrar vou ser demitido.

-Mas O’Connor entenda, o doutor Arkham anda muito aborrecido. Com muitos problemas. Então não quis importuná-lo com esse assunto. Mas ele sabe de tudo que faço. Ele não vai descontar em você.

-Não sei não…

Harley então solta os cabelos loiros, fazendo com que seu aroma delicioso encha as narinas de O’Connor. A jovem sabe bem o que faz.

-Eu prometo ser bem rápida. Ninguém precisa saber de nada.

O guarda nem responde. Quinn então mexe mais uma peça de seu jogo. Abre um pouco o jaleco, revelando o vestido decotado que valorizam seus seios fartos.

-Vamos fazer assim. Você me deixa entrar… diz dando um passo a frente e ficando a poucos centímetros do guarda. -E em uma outra hora quando você estiver de folga tomamos um café. Eu te conto da minha vida e você me conta da sua. Você é solteiro?

-S..sou…sou sim.

-Que coincidência. Eu também. Teremos um assunto em comum. O que me diz?

O guarda reluta um pouco e responde.

-Espero não me arrepender disso, mas ok. Cinco minutos. E se aparecer alguém eu bato com meu cacetete na grade e você sai, está bem?

Quinn responde com um beijo no rosto de O’Connor, que não consegue nem mesmo reagir. Quinn corre em direção a cela de Crane com os cabelos soltos balançando.

Ao chegar em frente a cela de Crane, espia pela pequena janela da porta e não consegue deixar de ficar surpresa. O homem lá dentro parece ter envelhecido uns dez anos nesse pouco tempo que ficou no asilo. Muito abatido, magro e com olheiras. Ele esta deitado, mas acordado.

-Olá doutor Jonathan Crane.

Os olhos do doutor estão vermelhos e mal se movem em direção a porta da cela.

-Parece que você está precisando de ajuda.

Isso parece chamar a atenção de Crane.

-Pois saiba que quem lhe ajudou uma vez, pode fazer de novo.

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