Capítulo 9 – Thomas & Martha

19h55min
Após as descobertas da noite anterior Batman analisou as novas evidências durante todo o dia seguinte. Unindo todas as peças, formou-se um grande quebra-cabeças, mesmo que com algumas lacunas. Mas para ele a verdade está explícita. Agora é o momento da cartada final. Confrontar Arkham com o que ele descobriu e com isso confirmar suas teorias.
Batman está nas sombras do lado de fora da casa de Jonathan Arkham o aguardando chegar. Finalmente ele estaciona em frente a casa.
Arkham entra e pendura seu casaco em um gancho ao lado da porta. Depois se dirige para a sala onde pretende servir-se de uma dose de uísque, como faz todas as noites. A sala está escura, mas uma pequena claridade entra por uma janela aberta. O vento frio embala suavemente as cortinas. Ele acha estranho a janela estar aberta, então se dirige para fechá-la. Nesse momento ouve uma voz que soa como gelo se partindo.
-Arkham.
A surpresa é tão grande que o doutor se vira rapidamente em um pulo, mas quando se vê diante de Batman sua única reação é ficar paralisado de terror.
Batman o empurra e ele cai sentado em uma poltrona. Por alguns segundos Arkham tenta falar algo, mas não consegue, até que profere algumas palavras gaguejando.
-O que você pensa que está fazendo em minha casa? Vou chamar a polícia…
-Não se dê ao trabalho, eu já fiz isso.
Arkham está atônito e sem reação.
-Vamos fazer o seguinte a partir de agora. Eu falo e você escuta. Se eu fizer uma pergunta, você responde e é só. Entendido?
Arkham acena que sim com a cabeça. Batman está imóvel a sua frente. Uma capa negra cobre todo seu corpo, como um espectro vingativo e o frio que entra pela janela aberta deixa a atmosfera da sala ainda mais sinistra.

-Há quase vinte anos o casal Wayne foi assassinado. Um homem foi preso e assumiu a culpa, Joe Chill. Ele alegou que atirou no casal após terem reagido ao assalto que ele planejava. Disse ainda que desconhecia a identidade das vítimas e que foi tudo obra do acaso. Como não havia mais nenhum indício para contradizer a versão de Chill, ele foi condenado a prisão perpétua. Justiça feita, caso encerrado. Mas não foi bem assim.
-Porque você…
-Calado, não lhe perguntei nada. O que aconteceu foi que esse caso ao meu ver ficou em aberto por vários motivos e resolvi investigar a verdade.
-Não tenho acesso a Chill, então me restava falar com a segunda pessoa com mais envolvimento no caso, Jack Napier. Na época dos crimes, Chill chamou seu amigo Napier para realizar um plano. Não foi fácil encontrar Napier. Ele ficou anos em Metrópolis e voltou para Gotham com outra aparência e uma identidade falsa. Mas eu consegui localizá-lo e o interroguei. Desse ponto em diante muitas coisas foram esclarecidas. Não era um assalto o que pretendiam.
Arkham continua praticamente imóvel, apenas ouvindo. Apesar de tentar manter a expressão neutra, obviamente ele está muito apreensivo sobre o teor da conversa.
-Primeiro Napier me contou qual era o verdadeiro plano daquela noite. Chill iria assassinar Thomas Wayne, mas iria poupar Martha e o menino, que deveriam ser levados para casa, enquanto Chill cometia o assassinato em uma estrada deserta. Porém a familia saiu do cinema mais cedo e Chill na impossibilidade de seguir o que tinha planejado atirou nos dois, deixando como testemunha uma criança de oito anos vendo seus pais sangrando no chão. Mas eles foram vistos após o barulho dos disparos e de sairem correndo. Até aqui já temos uma versão bem diferente da oficial. Os criminosos foram identificados, mas Napier sumiu e Chill foi achado com relativa facilidade. No interrogatório estranhamente assumiu toda a culpa pelo crime. Mas de acordo com o que Napier me disse, essa atitude de Chill fazia sentido. O crime foi encomendado. Chill recebeu cinco mil dólares pela morte de Thomas, mas para Napier algo mais movia Chill em direção a esse crime. Chill nunca tinha matado ninguém, seus crimes raramente envolviam violência. Então porque? Napier sentiu que Chill estava quase desesperado para cometer o crime e nem era pelo dinheiro, que não era nenhuma fortuna. Então imaginei que devia haver uma motivação pessoal. Chill precisava cometer o crime. Algo ou alguém praticamente o obrigavam. Assim fico bem óbvio que ele estava sendo vítima de chantagem, afinal ele mesmo não tinha nada contra os Wayne. Seguindo esse palpite investiguei o que o mandante poderia ter contra Chill e encontrei a sua irmã mais nova, Maxine. Após a morte da mãe, a irmã quinze anos mais nova, se tornou como uma filha para Chill. Porém com ele entrando e saindo da cadeia a todo momento, não havia possibilidade dele criar a menina, e ela foi enviado para o orfanato Willowwood. Segundo consta ele era muito apegado a irmã e isso foi um baque para ele, mas não havia nada a ser feito. Um tempo depois Maxine foi usada para chantagear Chill. O que fazia sentido, pois o mandante deve ter além de encomendado o crime, obrigado Chill a se entregar e assumir a culpa, assim o caso seria encerrado e nenhuma suspeita recairia sobre o mandante. Mas dessa forma ele teria que ter Maxine sob seu controle para o resto da vida, afinal depois de um tempo na prisão Chill poderia querer contar a verdade, mas não o fez até hoje para proteger a irmã. Mas então quem seria esse poderoso mandante? A chave para descobrir sua identidade passava por Maxine.
Arkham ouve tudo atentamente. Sua respiração é irregular e o suor começa a escorrer gelado pela sua nuca.

-Continuei minhas investigações e descobri que Maxine ficou pouco tempo no orfanato e depois sumiu. Como o diretor da época, Barrymore, morreu a alguns anos e o orfanato tinha muitos funcionários, foi difícil obter informações sobre o que aconteceu com Maxine. Até que descobri uma antiga funcionária e ela informou que Maxine foi levada sem nenhuma exlicação por alguns enfermeiros. Ainda era uma informação bem vaga, porém fazia sentido. Se o mandante do crime precisava manter Maxine por perto, ele deveria estar em um hospital, institução carcerária, um asilo…um ambiente controlado, onde o mandante teria total controle sobre a vida da menina. Investiguei esses locais e não encontrei nada. Nenhum sinal de Maxine, mas depois de um tempo encontrei Jane Doe, o nome dado para ela, para manter o anonimato. Você sabe onde a encontrei?
Arkham está muito abalado nesse momento, seu nervosismo é visível e ele nem mesmo consegue articular as palavras para responder a pergunta.
-Não precisa responder, ela está no asilo Arkham a quase vinte anos. Ela foi diagnosticada com uma esquizofrenia grave, mas o tratamento nunca surtiu efeito não é? Ela nunca vai se recuperar, não enquanto Chill estiver vivo.
-Onde quer chegar, você esta me acusando de ter…
-As evidências são bem claras. Se colocarmos Maxine em segurança e perguntarmos para Chill o que aconteceu, ele poderá confirmar tudo isso. Mas provavelmente o mandante não seria descoberto, pois deve ter usado um intermediario para realizar a chantagem. Possivelmente seja um policial corrupto, que também deve ter informado o mandante sobre o perfil de Chill e o sugeriu para cometer o crime. Ainda não descobri quem é o policial, mas vou chegar lá.
-Você está me acusando de ser o mandante?
-Até agora não tinha feito isso. O plano que envolve o crime estava desvendado, porém faltava uma peça importante, o motivo. A motivação de Chill era proteger a irmã, mas e o mandante? É aí que entram essas evidências.
Batman que estava imóvel até agora, retira debaixo da capa uma agenda antiga, que Arkham nunca havia visto antes.
-Aqui estão os motivos do assassinato. Thomas Wayne mantinha diários e agendas onde anotava tudo que fazia relacionado ao trabalho. Então aqui pude ler que Thomas fez várias visitas a você. Thomas como membro da fundação Wayne, recebeu relatórios que para ele foram estranhos. Ele investigou e descobriu desvio de verbas, mau tratos aos internos e uma taxa de recuperação quase nula dos doentes. Mas ele fez tudo isso furtivamente, sua esposa Martha, a diretora da fundação, nem ficou sabendo do que acontecia. Então Thomas começou a lhe ver e ter conversas sobre o asilo. Ele conhecia bem o passado de rivalidade entre as famílias e não queria ser aquele que começaria a briga novamente. Ele tentou conversar com você, entender o que se passava, mas as suas reações sempre foram estúpidas, agressivas. Thomas queria que você corrigisse os erros, sem que o restante da fundação ficasse sabendo. E ele fazia isso pensando no legado da família Arkham. Ele sabia o quanto isso era importante para você e não queria que você perdesse a direção do asilo. Está tudo escrito. Ele até escrevia frases literalmente como você havia dito, como por exemplo ‘porque vocês Wayne não vão gastar sua fortuna bem longe daqui?’ ou ‘sua intromissão aqui no asilo pode ter um custo muito alto’. Tudo isso pesa muito negativamente contra você Arkham. Outra fato, é notório que você e Barrymore tinham uma boa relação, facilitando a retirada de Maxine do orfanato. Tudo se encaixa.
Batman fica em silêncio, como se precisasse de um momento para assimilar toda a história que ele mesmo narrou. Um caso que mudou sua vida e o motivou a se tornar o Batman. Nesse momento o doutor Arkham toma coragem e resolve falar. Ele apoia as mãos na poltrona, como se fosse levantar.
-Mas isso ainda não prova nada. Vou lhe processar…
-Cale a boca maldito. Eu ainda não terminei.
Batman dá um passo a frente e sua linguagem corporal ameaçadora obriga Arkham a se reconstar novamente na poltrona.

-Thomas Wayne lhe fez uma proposta. Ele iria viajar pela Europa por um mês e quando voltasse só o que ele lhe pedia é que tivesse começado a tomar atitudes para resolver as irregularidades do asilo. Ele escondeu de si mesmo o fato de que as verbas da fundação direcionadas ao asilo deviam ser desviado para você mesmo. Ele negou isso pois não queria tirar o asilo de você. Ele foi complacente com seus crimes e lhe deu a opção de consertá-los. Mas caso isso não acontecesse ele teria que informar a direção da fundação e isso acarretaria em uma serie de auditorias e a verdade, e as punições, não tardariam. Mas como você agiu? O voto de confiança de Wayne foi pago com tiros. Maldito seja Arkham você arruinou a vida de duas crianças para alcançar seus objetivos.
A cor da pele de Arkham agora é quase roxa, talvez por ele mal conseguir respirar devido a tensão. Batman se aproxima mais dele, se inclina um pouco e fala com uma voz grave, que mais parece um ruido ecoando do fundo de uma caverna.
-Thomas iria recomendar que você continuasse na direção do asilo.
Arkham arregala os olhos e então se dá conta de não há mais como fugir, mas o seu instinto de sobrevivência lhe diz que ele deve negar tudo. Assim ele junta forças para tentar argumentar.
-Eu posso até admitir a culpa para você, mas do que isso vai adiantar? Essas provas não foram conseguidas legalmente, não terão valor algum.
-É verdade. Um júri não aceitaria essas provas. Porém elas seriam um prato cheio para a imprensa. Uma história de assassinato intrincada, como que saída diretamente de algum livro de Hammet ou Chandler. Para eles não importa de onde vieram as provas e nem como. Sua imagem seria exposta todos os dias nos jornais, na tevê, na internet. Sua degradação seria lenta e dolorosa. O nome de sua famíla jogado na lama. Completamente desmoralizado. O asilo perdido para sempre. As manchetes estampando: O homem responsável pela morte dos benfeitores de Gotham. O homem que arruinou a vida de um menino de oito anos, usou um pobre coitado que só queria dar algum conforto para a irmã. Uma menina refém no asilo por vinte anos. Tudo por ganância, ego…a polícia iria confrontá-lo, desafiá-lo a provar que era inocente. E você não conseguiria. Com Maxine a salvo, Chill não teria mais nada contra ele e poderia depor. Bruce Wayne pode fornecer esses documentos e eles teriam a prova que precisam. Ou talvez Wayne contratasse alguém para matá-lo, pelo menos seu sofrimento acabaria rapidamente. De qualquer forma você está acabado Arkham. Se você se entregar e confessar seus crimes, talvez consiga algum acordo.
Enquanto Batman explicava a situação a cor da pele de Arkham foi mudando de roxo para cinza e agora ele estava com o rosto pálido como uma folha de papel. Ele transpirava ainda mais e suas mãos tremiam nervosamente. Era o fim e ele sabia. Não havia como escapar. Arkham baixa a cabeça, com o desespero tomando conta de seu íntimo. E após alguns instantes, ergue a cabeça vacilante e com olhar perdido pergunta.
-Porque?
Batman permanece em silêncio, não há mais nada a ser dito. Ao fundo o som de sirenes ia ficando mais alto.
Instantes depois em um canto escuro do jardim, Gordon e Batman observam Arkham ser levado algemado para dentro de uma viatura da polícia.
-Eu confiei e vim até aqui pois você me pediu, mas o que significa isso tudo? Porque Arkham esta se entregando à polícia?
-Ele vai esclarecer tudo na delegacia. Ele foi o responsável pela morte do casal Wayne, entre outros crimes.
-O que? Não posso acreditar nisso…
-Ele vai contar tudo.
-Mas como você conseguiu que ele se entregasse?
-Eu apenas o confrontei com a mais pura verdade.

21h
Na caverna Batman retira o cinto onde carrega seu equipamento de combate, a capa e o capuz. Alfred como sempre está por perto.
-Acabou Alfred. Finalmente o verdadeiro responsável pela morte de meus pais vai pagar pelo que fez.
-Eu estou tão feliz por isso. Sinto que a justiça foi feita, mesmo que tardiamente. A alma de seus pais pode descansar em paz.
Ambos estão aliviados. A morte do casal Wayne foi um duro golpe para os dois e o desejo de justiça era também compartilhado. Porém Alfred estava satisfeito com a prisão de Joe Chill, mas seu patrão não aceitava as coisas tão facilmente. Habilmente ele buscou a verdade e a conseguiu. O silêncio envolve os dois amigos por um tempo. Há muito o que refletir, todo o passado foi reescrito a partir da prisão de Arkham. Após alguns instantes Alfred não resiste e pergunta
-E o senhor? É o fim de sua jornada?
-Não se empolgue meu velho amigo. Há muitos crimes a serem evitados e eu não pretendo me aposentar ainda, não enquanto tiver forças. A morte de meus pais foi o estopim, mas agora não irei parar enquanto puder evitar que mais crianças fiquem orfãs, ou que o crime corrompa essa cidade, fazendo os cidadãos de bem sofrerem.

Nesse instante o comunicador de Batman que estava em seu cinto toca. Com certeza é uma mensagem de Gordon, pois ambos usam esse comunicador codificado, uma espécie de telefone celular modificado para se comunicarem sem serem rastreados. É a única forma dos dois não serem expostos. Por mais que Batman traga criminosos até a justiça, ele continua a margem da lei e Gordon o oposto. Existe uma espécie de trégua, enquanto Batman não se chocar com o interesse dos poderosos de Gotham. Mas isso pode mudar a qualquer momento. Por enquanto ele é tolerado, mas não abusa da sorte.
-Leia para mim, por favor Alfred.
O mordomo le com os olhos e depois de uma pausa diz.
-Senhor, Jonathan Crane fugiu do asilo.

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19h45min
Harley Quinn caminha pelos corredores do asilo Arkham com sua prancheta. Ela parece muito concentrada, e realmente está, mas não com a saúde mental dos pacientes e sim com o plano de fuga que ela vai por em prática em cinco minutos. Agora ela se aproxima da ala de segurança média. Ao contrário do cofre, essa ala não tem uma grade separando-a do restante do asilo. Os internos ficam nas suas celas trancadas, mas as portas podem ser acessadas por qualquer um que passe por ali. Porém só podem ser abertas com um cartão magnético habilitado para isso. O cartão que Quinn tem na mão direita nesse momento. Ela para em frente a cela de Jervis Tetch. Esse sequestrador de crianças, foi diagnosticado como esquizofrenico paranóide delirante. Ele acredita ser o personagem Chapeleiro Louco, criado por Lewis Carrol. Foi pego quando tentava dar chá com mercúrio para três meninas loiras como Alice. Quinn vai libertá-lo primeiro e em seguida soltará Daedalus Boch. Esse interno foi mandado para o asilo após ser pego fazendo pinturas com sangue humano que ele roubava em hospitais. Apesar de não ser assassino, ele é potencialmente perigoso, pois faz qualquer coisa para conseguir a matéria-prima de suas pinturas. Quinn não os soltara primeiro a toa. Ela sabe que Boch odeia Tetch por ele atacar crianças. Provavelmente quando colocar as mãos no Chapeleiro, vai tentar extrair um pouco do seu sangue. Vai ser um começo de distração perfeito. Quinn confere seu relógio.

19h50min
Hora de começar. Após libertar Tetch e Boch, Quinn liberta mais alguns criminosos insanos e o caos e gritaria tomam conta dos corredores em instantes. Ela corre dali, assim como outros funcionários estão fazendo. Em direção contrária correm alguns guardas. Ninguém percebe o sorriso no rosto de Quinn. Porém ao chegar na ala de segurança máxima ela muda a expressão para profundo terror. Ela corre em direção ao guarda O’Connor e atira-se em seus braços. Ela pede ajuda, implora. Ele diz que não deve sair de seu posto, mas cede aos pedidos dela. Ao se afastar deixa para trás Quinn, agora com uma expressão satisfeita e seu cartão de acesso, roubado por ela.
Em instantes Quinn e Crane correm para o subsolo do asilo. Lá chegando se escondem atrás de um container. Está quase na hora do caminhão sair. Apenas um funcionário cuida da porta por onde o lixo é retirado. O motorista espera um sinal do funcionário para que possa fechar a porta do caminhão. Como o motorista faz isso de dentro de sua cabine, fica sem saber exatamente o que se passa na traseira. É essa brecha que precisam para Crane entrar no caminhão. Mais eles não podem ter testemunhas, isso traria problemas no futuro.
-Como vamos passar pelo funcionário sem sermos visto.
-Deixe isso comigo doutor Crane.
Após o sinal de positivo dado pelo funcionário, Quinn retira os óculos, larga-os no chão e com passos rápidos se desloca de trás do container e parte em direção a porta. Ela dá um salto gracioso e em seguida um potente chute na nuca do funcionário, que é jogado contra a parede, batendo a testa e caindo inconsciente. Crane observa tudo estupefato.
-Agora doutor. Corra.
Crane não é tão rápido como Quinn, mas consegue se jogar dentro do caminhão segundos antes da porta fechar totalmente. Crane agora está acomodado sobre fétidos sacos de lixo, pensando em como uma psiquiatra consegue fazer aquilo que ele acabou de ver. Quinn recoloca os óculos e sobe as escadas pensando em como está a bagunça que ela criou.

Três dias depois da fuga, 23h
Após Crane ser retirado do caminhão de lixo por homens encapuzados, ele foi levado para um hotel de beira de estrada, próximo a estação de energia de Gotham. Lá ele aguarda alguém que virá em breve, mas ele não sabe quem. De roupas limpas e bem alimentado Crane agora pensa que é mais uma vez um fugitivo da polícia. Apesar de seus aliados misteriosos terem lhe ajudado até agora, será que poderá confiar neles sempre? E quem são essas pessoas com tantas conexões, tanto dinheiro e tantas habilidades? Suas perguntas não serão respondidas, pelo menos não agora, quando ouve uma batida na porta.
-Sou eu, Harley, abra a porta.
Crane obedece e observa a bela jovem entrar no quarto. Agora a vendo sem o jaleco branco que cobre seu belo corpo, Crane entende como ela pode ser capaz de movimentos tão incrivéis. Ela tem um corpo de uma atleta, e seus movimentos são graciosos, mas também precisos. Ela deve treinar muito pensa Crane.
-Foi bem tratado doutor?
-Sim claro. Aqueles homens me trouxeram aqui, me deixaram comida e foram embora. Só não responderam minhas perguntas. Quem são eles?
-Não importa doutor. São apenas homens contratados. O verdadeiro líder por trás de tudo isso está em outro lugar.
-Claro. O meu patrocinador secreto não é? Quando terei o prazer de conhece-lo? Esse joguinho é interessante, mas pode ser tornar irritante depois de um tempo. Não gosto de ser manipulado e sinto que já fui o bastante.
Quinn sentiu a irritação de Crane desde que entrou no quarto. Ela sabe que o doutor tem um temperamento dificil. É hora de acalmá-lo um pouco. Assim é possível prepará-lo para o que virá a seguir, quando Quinn revelar quem o ajudava. A jovem se aproxima de Crane com toda sua malícia e coloca uma das mãos no peito de Crane e com a outra pega a sua mão esquerda.
-Bom doutor, calma. Tudo o que fizemos até agora foi para lhe ajudar. O senhor está livre. Se quiser ir embora pode ir, ninguém irá impedi-lo. Porém eu gostaria muito que você me acompanhasse para ouvir uma proposta bem interessante.
Crane tal qual uma fera acalmada pela bela, respira fundo e concorda.
-Pois bem, pelo menos como agradecimento vou ouvir a proposta.
-Tenho certeza que o senhor vai gostar.
-E sobre Arkham…o que você sabe sobre a prisão dele?
-Nada, além do que a mídia noticia. Mas da forma que a polícia está empenhada, creio que logo eles vão descobrir tudo.
-Tudo o que?
-O asilo esta repleto de irregularidades, tudo culpa do doutor Arkham. Aquele velho idiota…
-Não posso dizer que não estou feliz com a ruína de Arkham, diz Crane com um amplo sorriso.
-Ele merece tudo o que está acontecendo.
-E sobre a pesquisa dele, alguma pista?
-Sim, creio que em breve encontrarei, descobri um armário trancado no porão e acho que a pesquisa está lá. Só preciso verificar tudo. É só uma questão de tempo.

Minutos depois o carro dirigido por Harley Quinn se aproxima do bairro nobre de Bristol. Crane está abaixado no banco de trás, com um sobretudo e chapéu. Quinn deve ter cautela, pois ninguém pode associar seu nome ao dele. Agora o carro para diante de um portão de ferro guardado por dois homens. Eles a identificam e abrem o portão. O carro sobe por uma alameda e chega a porta da frente da casa. Vários homens armados vigiam a mansão. Crane e Quinn descem e entram na casa. Ninguém os recebe, mas é possível perceber que há várias pessoas circulando por ali. Alguns estão armados, todos parecem pertencentes a gangues. Crane acha toda a cena surreal, mas deu um voto de confiança para Quinn e por isso aguarda em silêncio.
Quinn conduz o doutor até uma ampla sala no térreo. Lá, sentado em uma poltrona está um senhor de cabelos e cavanhaque brancos.
-Doutor Crane, esse é o senhor Aigner o dono dessa elegante mansão. Ele será seu anfitrião daqui para frente.
O idoso não fala nada, apenas mantém a expressão muito séria enquanto olha para Crane.
-Eu conheço você…era você que patrocinava meu laboratório. Você está envolvido nisso tudo? Mas porque?
O homem a sua frente não responde, se limita apenas a continuar encarando Crane com a expressão muito séria. Quinn pousa sua mão sobre o ombro de Crane o acalma.
-Paciência doutor. Em breve tudo será esclarecido.
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23h50min
-Por favor entre doutora Isley.
-Queria falar comigo senhor Cobblepot.
-Sim, senhorita. Como deve lembrar a algumas semanas fizemos um acordo. Você me ajudaria com seus conhecimentos em bioquímica a realizar um plano e em contrapartida eu prometi financiar uma nova reserva biológica para que você administrasse.
-Sim, é verdade. E também é verdade que o plano deveria ter um efeito colateral, eliminar Batman.
-Exatamente…
-Porém recentemente vimos que nem mesmo seus mercenários foram capazes de realizar a tarefa. Mas mesmo assim você cumprirá sua parte no trato não é mesmo?
-Com certeza doutora, diz Cobblepot impaciente.
-Desde que a senhorita cumpra a sua parte.
-Pois bem, eu vim aqui lhe dizer que as coisas serão um pouco diferentes.
Cobblepot apenas olha intrigado para Isley, imaginando o que virá a seguir.
-Creio que o senhor deva receber uma vídeo chamada a qualquer momento.
Isley olha para o computador em frente a Cobblepot e ele faz o mesmo. Por alguns segundos tudo fica em silêncio e então o computador recebe uma chamada.
-Melhor atender, diz Isley.
Ao clicar no ícone de receber chamada, Cobblepot fica surpreso com o velho conhecido que preenche a tela.
-Mas que merda está acontecendo aqui, o que diabos significa tudo isso?
-Chegou a hora de algumas coisas serem esclarecidas. Nossa amiga Pamela pode lhe dar mais detalhes.
Cobblepot olha irado para Isley. Ela está muito calma quando começa a falar.
-O plano do atentado terrorista era real, mas os motivos são outros. Os motivos nunca foram vantagens financeiras. Esse não era o nosso plano…
-Como assim? Nosso?
-Sim, estamos trabalhando juntos desde o inicio. Você foi enganado esse tempo todo. Aigner lhe manipulou para usar seus recursos a nosso favor.
-Maldita seja, e você acha que vou aceitar isso? Peguem ela. Cobblepot ordena que seus guardas avancem sobre Isley.
-Calma pessoal. Estão vendo esse dispositivo aqui. Ela abre seu casaco, mostrando um cilindro metálico preso ao seu corpo.
-Eu tenho aqui um composto biológico que matará todos na sala, basta que vocês me matem ou mesmo toquem em mim. Detalhe, esse composto provoca uma morte horrível e não há antídoto. Então afastem-se.
Cobblepot está petrificado perante a cena que se desenrola a sua frente. Essa reviravolta lhe deixou sem reação. Neste momento homens armados entram na sala de Cobblepot e subjugam seus guardas.
-Esse amáveis homens estão aí para lhe buscar Oswald. Acompanhe-os de boa vontade. Eles lhe traram até nossa reuniãozinha. Eu, você e o doutor Crane.
Neste momento momento ele é pego pelos braços e levado de seu escritório. Nunca Cobblepot sentiu-se tão impotente.

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