Capítulo 2 – Fósforos Malone

CAP 2

Um homem entra em um bar na parte mais mal frequentada do Narrows. Sua aparência não é intimidadora, mas ele é um velho criminoso, bem conhecido por seus assaltos, principalmente à caminhões de carga. Além disso é famoso pela façanha de ter sido preso somente uma vez quando era jovem e desde então aparece e some de Gotham com frequência. Isso impõe respeito entre os criminosos e seu estranho conceito de sucesso. O homem tem cabelos e bigode ruivos, no rosto algumas sardas e rugas na pele dourada e no canto da boca pende um palito de fósforos, a marca registrada de …

-Fósforos Malone, seu velho cão bastardo, grita um enrugado cabeludo loiro com colete de gangue de motociclistas. -Por onde tem andado?

-Dando um tempo para limpar a minha imagem, é por isso que não vou pra cadeia, não fico dando mole por aí. Mas não saí do meu retiro pra dar aula pra bandido. Já é o sétimo bar que visito essa noite em busca de informação. Fiquei sabendo que tem um novo bagulho rolando por aí. Dizem que qualquer poodle vira pitbull quando toma.

-Não achei que tu fosse chegado nessa coisas… diz o motoqueiro antes de ser interrompido.

-Primeiro tu não é minha mãe. Segundo se esse bagulho for o que tão dizendo, eu vou querer. Tô com uns comparsas novatos preparando um golpe grande e acho que eles vão precisar de uma dose de coragem. Depois dessa pequena saraivada verbal, o motoqueiro fica sem reação por um instante até que exclama:

-Esse é o velho Malone que eu conheço, a língua afiada como sempre. Me paga uma ceva e eu te conto tudo e mais um pouco parceiro.

Depois de alguns minutos, entre muitos exageros, bobagens e várias mentiras, surge algo útil. Um nome: LaMarcus Brook. Fósforos Malone se despede do velho, sai do bar e ruma a um beco, entra pela traseira de uma van escura e retira os óculos e a máscara de látex. Mesmo usando esse disfarce à dois anos, ele ainda é útil. Mas o segredo é seguir o conselho de Fósforos e não saturar sua imagem nas ruas. Esse personagem usado com parcimônia se mostra sempre muito útil. As vezes a sutileza é a melhor arma.
Agora o homem de cabelos negros e olhos azuis coloca um capuz e um manto. Dessa forma ele combate o crime em Gotham e é conhecido por…

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

-Batman. Ele é meu problema, desabafa Oswald Cobblepot. -Enquanto ele estiver vivo e agindo nessa cidade minhas expectativas de crescimento são nulas. Sei que ele deve estar me espreitando, só esperando um deslize para me enquadrar. E se isso acontecer meus planos e o seu não vão ter sucesso.

-Eu entendo senhor Cobblepot.  Não posso permitir que esse Batman interrompa nossos planos, diz o misterioso homem que fala através de uma vídeo chamada. -Precisamos juntar as mentes geniais de Isley e Crane para conseguir atingir nosso objetivo e não podemos deixar ele atrapalhar.

-Todos nós queremos a mesma coisa senhor Aigner. Vou infiltrar um dos meus homens entre o pessoal do Crane. Em breve terei mais informações sobre o doutor e sei que alguma coisa pode servir para fazer ele se juntar a nós. Porém creio que o problema do morcego persiste…

-Sou apenas um intermediário senhor Cobblepot, mas acredito que poderemos ajudar nessa questão. Em breve entrarei em contato com novidades. Dito isso a transmissão se encerra. Por um instante Oswald Cobblepot suspira e então recebe uma mensagem no canto da tela de seu computador. Ele chegou.  Parabéns, você descobriu o easter egg:)Copie e cole esse link http://wp.me/P5FW4L-2h

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

Na região das docas. A informação recebida deve se confirmar, pensa Batman. O contato que parece ter a nova droga é LaMarcus Brook, conhecido como Lamar. Ele sempre foi envolvido apenas com distribuição de grandes quantidades de drogas pesadas. Lamar nunca foi um traficante de rua, ele é mais um especialista em logística, formas de esconder e distribuir drogas com mais eficiência. Como fachada ele tem uma transportadora nas docas. Apesar de parecer suspeito Lamar é muito discreto. Já foi preso antes, mas desde que saiu da penitenciária do condado parece estar andando na linha. Parece.

Quem quer que esteja fabricando a droga não quer inundar as ruas e deixá-las cair na mão de qualquer traficante pequeno que poderia entregar suas fontes sob uma pequena pressão. Por isso faz sentido Lamar estar envolvido. E se ele realmente estiver no esquema a prisão Blackgate vai ter o prazer de recebê-lo novamente em breve.

Batman invade o armazém de Lamar através de uma entrada no telhado. Alguns guardas fazem a ronda do lado de fora, mas nem sequer suspeitam da entrada furtiva de Batman. Vai direto ao escritório, pois sabe que Lamar é esperto o suficiente para não ter nada comprometedor no armazém. Mas o escritório pode ter alguma pista. A sala está repleta de monitores ligados a modernos computadores. Todos os dados da operação de logística e distribuição de sua empresa devem estar nessas máquinas. Batman sabe que a informação sobre a droga Espantalho e quem a produz não será fácil de achar. Ou talvez seja. De repente a atenção de Batman se volta para um velho computador em um canto da sala. Apesar de destoar das outras máquinas, seu teclado não está coberto de poeira. Ele foi usado recentemente, pensa Batman. Depois de alguns minutos acessando seus arquivos, encontra uma planilha denominada Espantalho em uma pasta oculta. Bingo. Mas não será tão fácil assim. Na planilha Batman encontra uma lista com uma série de números aparentemente aleatórios, e mais nada. Rapidamente copia o arquivo em um drive e se prepara para sair, quando percebe um mapa de Gotham na parede. Há vários pontos marcados em diversos locais da cidade. Utilizando um dispositivo de captura de imagens tridimensional Batman registra o mapa antes de sair.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

-Entre, diz Cobblepot. -Vejo que você já está pronto para começar.

-Sim senhor, diz o homem em frente a mesa. -Já descobri tudo que podia sobre o senhor Soto e irei trocar de lugar com ele essa noite.

-Ok, agora preste atenção, diz Cobblepot erguendo o dedo indicador para dar ênfase na orientação que vem a seguir:

-Preciso saber de algo que possa usar contra Crane. Talvez descobrir a fórmula misteriosa dessa droga. Se ele não tiver a exclusividade dela teremos com o que barganhar.

-Mas porque simplesmente não forçá-lo a se juntar a nós? Temos recursos para isso.

-Não é assim que funciona. Eu conheço pessoas como Crane, elas não reagem bem a violência, só ia piorar a situação. Se mostrarmos que podemos prejudicá-lo, mas não iremos, desde que ele nos ajude, ele pode ser convencido a cooperar. E temos uma boa proposta. Isso são negócios, meu caro, não somos gangsters de rua que resolvem tudo com brutalidade. E se conseguirmos a informação podemos usá-la mesmo contra a vontade dele. Agora pode ir e mande informações o quanto antes.

O homem à frente de Cobblepot concorda com um aceno de cabeça e saí.

Cobblepot agora pensa sobre o famoso empresário austríaco que o contatou em nome de uma pessoa misteriosa, na verdade um terrorista. O desejo dele era reunir os gênios científicos de Pamela Isley e Jonathan Crane e mais algumas pessoas especiais, que pudessem realizar um grande plano. A ideia era criar um composto bioquímico que tornaria inabitável por anos a região de Bristol Hills, uma area de luxo de Gotham. O ataque seria divulgado na mídia e assim haveria tempo para evacuação. Em consequência disso os mais ricos de Gotham teriam que procurar outra região para morar, e o local mais cotado para isso seria onde Cobblepot havia adquirido vários terrenos nos últimos meses, em nome de empresas de fachada obviamente. Gotham tem muitos milionários e alguns bilionários. Seria um plano lucrativo se desse certo. Muitas variavéis estavam envolvidas, mas parecia tudo bem elaborado pelo misterioso terrorista. O contato, o empresário P. Aigner, é um executivo acima de qualquer suspeita do ramo da construção civil e sua empresa faria a urbanização dos terrenos. Todos ganhariam. Claro que para alguém com a experiência de Cobblepot apenas confiar em seus sócios não era uma opção. Por isso ele tinha algo mais planejado, caso não corresse tudo como o esperado.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

Poucas horas separam a noite do alvorecer. Batman está agora na caverna acessando a planilha que encontrou no escritório de Lamar. Alfred como sempre está ao seu lado, auxiliando e até mesmo aconselhando eventualmente. O velho mordomo britânico olha intrigado para os números na tela.

-Não me parecem indicar nada específico patrão Bruce, porém o fato de estarem em uma planilha denominada Espantalho diz muito.

-Sim Alfred. Sua segunda afirmação está correta, a primeira nem tanto. Veja esses números, são conjuntos de quatro algarismo como em uma data sem o ano. Por exemplo zero sete zero nove, seria dia sete de setembro. Dois um zero oito, dia vinte e um de agosto, e assim por diante. Note que todos eles se encaixam nessa teoria. Eles podem ser as datas de entrega.

-E porque alguns deles estão em negrito?

Sem dizer nada Batman aciona a imagem holográfica do mapa de Lamar que brilha enorme em frente a ambos.

Acho que a resposta está aqui. Note que nesse mapa, Gotham foi dividido em quadrantes. Dez quadrados idênticos na horizontal e dez na vertical. Se imaginarmos que os números em negrito vão de zero a nove e correspondem aos quadrantes sendo o zero considerado o dez, e os primeiros números indicando a linha horizontal e o seguinte a linha vertical, perceba que as coordenadas indicam exatamente os locais marcados no mapa.

-Brilhante patrão Bruce. Eles utilizaram as datas como forma de indicar os locais de entrega. Assim não repetiriam os pontos de encontro e nem usariam os locais obscuros e suspeitos de costume.

-Exato Alfred. Assim eles minimizam a comunicação entre ambos utilizando a data de entrega para informar o local. Porém esses quadrantes abrangem áreas bem grandes. Em algum momento eles devem combinar o local exato… emudece e fica pensativo por um momento, então:

-O melhor a fazer é monitorar a atividade na área da próxima entrega…

-Mas como saber o local patrão?

-Olhe atentamente para as datas, Alfred. Elas tem uma diferença de dezessete até no máximo dezenove dias entre uma e outra. Como a última foi a uma quinzena, a próxima deve acontecer em alguns dias. Como sabemos que será esse mês, a entrega será na linha de quadrantes número nove. Basta monitorar as regiões de sete a nove na vertical. Claro que tudo isso é um palpite, os números podem não ser datas de entrega, mas é a melhor pista que temos. Se Lamar não tivesse sido tão confiante e exposto seu mapa dificilmente chegaríamos a essa conclusão.

Alfred concorda com a cabeça e um sorriso de admiração. Porém antes que possa expressar seu sentimento é questionado casualmente.

-Os drones da Wayne Tech ainda estão aqui na caverna?

-Sim senhor. Eles ainda precisam de ajustes antes de serem produzidos em grande quantidade e doados para a polícia.

-Hum, ótimo. Vamos usá-los para monitorar os quadrantes. Quantos temos?

-Apenas dois.

-Vai servir. Um em cada canto do quadrante e eu fico em um terceiro, um você monitora pelas câmeras de vigilância da prefeitura.  Estamos perto de pegar o fabricante do Espantalho. Vou preparar os drones.

-A propósito, patrão, os compostos químicos que me pediu para preparar já estão no laboratório médico.

-Obrigado Alfred.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

Um enorme barracão de folhas de zinco em um recanto esquecido de Gotham serve de abrigo temporário para Jonathan Crane. Na verdade o local abriga seu laboratório, onde com a ajuda de alguns capangas ele produz a droga conhecida como Espantalho. A produção é demorada pela complexidade dos compostos químicos usados e das condições em que devem estar. A quantidade produzida também não é grande, mas o custo da grama é altíssimo. A operação vem correndo bem. A droga tem chegado nas mãos dos criminosos de Gotham e surtido o evento caótico esperado. O dinheiro entra, os bandidos ficam fortes e sem medo e tudo funciona. Crane está em uma sala na parte mais alta do barracão, em uma espécie de escritório e aposento. Um de seus guarda-costas, um homem muito forte de dois metros de altura, prepara um tablet e entrega para o doutor. Apesar de ser um cientista genial, as tecnologias da informação são estranhas para Crane. Ao fundo da sala o outro guarda-costas somente observa.

-Obrigado senhor Desmond. Pode ir verificar o laboratório agora? Soto fica aqui comigo. O gigante concorda sem dizer nada e sai da sala. Crane segura o tablet e aguarda o aplicativo de vídeo chamada responder. Quando finalmente o interlocutor aparece no vídeo começam a conversar. Crane fala num tom de voz baixo e calmo. No extremo oposto da sala o guarda-costas, de pele morena, cabelos compridos presos em um rabo de cavalo e cavanhaque negro não pode ouvir a conversa. Crane está de costas para ele concentrado no interlocutor e não pode perceber que seu guardião agora lança sua atenção para uma pilha de diários em cima de uma mesa. Ele pega com cautela um deles e examina com atenção.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

Alfred está sentado na escuridão da caverna abaixo da mansão Wayne. A única iluminação provém dos inúmeros monitores a sua frente. Hoje é o último dia possível da entrega de drogas, se o palpite de Batman estiver correto. Da caverna Alfred monitora as câmeras dos dois drones que estão sobrevoando a região suspeita. Um dos lados do quadrante está coberto por algumas câmeras de vigilância, fabricadas pela Wayne Tech e portanto conectada diretamente com a caverna. Os compradores do equipamento nunca atentaram para uma cláusula no contrato de venda que dizia: “análise de conteúdo pode ser realizado pelo fabricante sem aviso prévio.” Uma pequena brecha na lei, que Batman não iria deixar de aproveitar. Assim todas as câmeras de vigilância da cidade fornecem informações que abastecem o banco de dados do enorme computador instalado na caverna. Alfred observa as imagens, mas nada parece estranho ou suspeito. De repente avista três vans escuras se aproximarem do perímetro vigiado. Elas coincidem com a descrição que Batman fez dos veículos que não fazem parte da frota da empresa de Lamar mas que estavam estacionados no pátio do seu armazém.

-Senhor está na escuta.

-Sim caverna, alguma novidade. A voz soturna saí de algumas caixas de som na caverna.

-Três vans escuras se aproximam pelo lado norte do quadrante. Parecem ser as de Lamar.

-Entendido, vou verificar.

Batman está sobrevoando o lado leste do quadrante e rapidamente chega ao lado norte. Ele manobra habilmente um veículo aéreo com quatro hélices, escuro e que Alfred apelidou, com um toque de seu humor britânico, de Morcego. O veículo pode se mover na vertical e na horizontal como um helicóptero, porém com muito mais agilidade pois as hélices são menores e o desenho foi criado para que a nave pudesse se deslocar em espaços pequenos, como entre prédios. O equipamento foi desenvolvido por Wayne e construído por Lucius Fox, brilhante cientista que é um dos diretores da Wayne Tech e aliado de Batman. Apesar de não saber que o dono da empresa onde trabalha é um vigilante noturno, Lucius desconfia, ou até mesmo sabe, mas nada declara. É o melhor para ambos.

Agora Batman se aproxima dos veículos. De cima ele monitora sua movimentação. As vans saem de uma avenida em direção a uma rua abaixo de um viaduto. Batman voa a uma altura que impede que seja percebido do solo. Porém agora que as vans estão baixo do viaduto ele também não pode vê-las.

-Caverna envie os drones para minha localização, preciso uma visão melhor do que está acontecendo. Em poucos minutos os drones chegam próximo ao viaduto fornecendo um ponto de vista mais favorável. Em seguida chegam mais carros, a entrega deve acontecer agora pensa Batman.

-Senhor, Lamar está no local, porém não vejo Crane.

-Ele provavelmente não iria se expor assim. Eles estão fazendo a entrega?

-Sim senhor. Trocaram maletas agora e se preparam para sair.

-Ok, informe ao tenente Gordon a localização de Lamar e de sua carga. Eu vou atrás dos entregadores, mas não diga isso a ele, preciso manter o elemento surpresa.

Batman segue os dois carros. A viagem é longa. Os veículos vão na direção noroeste, deixam Gotham e se aproximam da cidade vizinha de Blüdhaven.

Em uma zona nos arredores da cidade os veículos entram em uma estrada de terra. Se aproximam de um grande barracão cercado por uma densa floresta. Pelo alto Batman pode se aproximar sem ser visto, algo que não conseguiria pelo solo, por isso sua preferência por se locomover pelos ares.

É hora de agir. Batman pousa o Morcego e se esgueira até o barracão. Há muitas pessoas trabalhando lá dentro. Procura outra posição para ver o interior. Consegue visualizar o escritório. Através de uma das paredes com uma enorme janela de vidro é possivel ver Jonathan Crane. Tudo se confirma. Agora é preciso pegá-lo.

Através de uma pequena abertura Batman arremesa duas bombas que explodem no chão do barracão. Uma causa um enorme clarão de luz e a outra espalha gás lacrimogênio. A gritaria começa instantaneamente e todos correm para fora. Enquanto isso Batman escala uma parede lateral e chega ao telhado. Usando sem próprio peso arrebenta as telhas e pousa dentro do escritório de Crane. O doutor e seus dois guardas ainda estão atordoados com as explosões. Porém ao verem Batman ficam imediatamente prontos para reagir. Antes que qualquer palavra seja dita, Crane retira uma seringa de seu bolso e injeta no braço do gigante ao seu lado. Batman o reconhece. É Mark Desmond, conhecido como Arrasa Quarteirão. Dois metros de altura e cento e vinte quilos de músculos. Ele já trabalhou como segurança de várias famílias criminosas. É extremamente perigoso. Ao receber a injeção Desmond se retorce e solta um grito de agonia, então olha para Batman e parte ferozmente para cima dele.

Fui surpreendido, pensa Batman. Crane deve ter injetado a droga Espantalho em Desmond, que agora ficará mais forte e sem nenhum medo de atacar. Imediatamente começam a lutar e Batman percebe que não será fácil derrotar Arrasa Quarteirão. Batman desvia da maioria dos golpes, mas o que o acertam na cabeça lhe deixam zonzo pois a força de seu oponente é formidável. Enquanto isso Crane e Soto recolhem alguns objetos apressadamente e saem pela porta. Batman ve de relance os dois fugindo mas não pode fazer nada, sua luta ainda não terminou.

Desmond e Batman trocam diversos golpes, mas mesmo os do homem morcego sendo golpes estratégicos visando incapacitar o adversário, isso não é suficiente. Desmond parece que também não sente dor. Talvez Crane tenha desenvolvido um novo tipo de droga, uma variação do Espantalho, pensa Batman enquanto desvia de um soco. Os golpes de Desmond o atingem com muita rapidez, impedindo que Batman retire algo de seu cinto que possa auxiliar na luta. Nesse momento Batman se descuida por uma fração de segundo e é atingido com um golpe muito forte que o derruba. Arrasa Quarteirão então levanta um velho guarda arquivos muito pesado. As veias do pescoço e dos braços de Mark Desmond parecem que vão explodir de tão inchadas. Batman quase desmaiou com o último golpe e ainda não consegue se levantar. Nesse momento Desmond muda a expressão do rosto de fúria para dor. Solta um gemido horrendo e deixa cair o guarda arquivos, que quase atinge Batman, que rolou para o lado no último instante. Quando se levanta vê seu oponente caído no chão. Corre até ele e então ele sabe: o Arrasa Quarteirão está sofrendo um ataque cardíaco. Porém é tudo muito rápido e antes que Batman possa salvá-lo o homem morre. A droga que Crane injetou nele deve ter aumentado muito o nível de adrenalina e junto com o esforço da luta o seu coração não resistiu. Não há mais nada a ser feito. Batman vasculha o armazém. Nem sinal de Crane e do seu guarda costas, tampouco do pessoal que trabalhava lá.

-Caverna, está na escuta?

-Sim senhor.

-Crane fugiu. E graças a ele um homem está morto.

-Como assim senhor?

-Depois lhe conto os detalhes. No momento preciso que chame Gordon e avise que serão necessárias algumas ambulâncias. Vou lhe passar a localização.

Mais tarde Batman e Gordon conversam. Mas o diálogo não parece muito amistoso.

-Obrigado por compartilhar a informação comigo. Ou pelo menos parte dela, diz Gordon com seriedade.

-Desculpe tenente, mas eu precisava encontrar Crane sozinho. O elemento surpresa era fundamental…

-Parece que não funcionou muito bem.

-Uma pessoa morreu enquanto Crane fugia. Eu não queria que isso tivesse acontecido.

Gordon abaixa a cabeça e fala em uma voz muito baixa:

-Eu sei, me desculpe. Mas entenda que recebo muita pressão por lhe ajudar. E quando essas coisas acontecem a desconfiança sobre mim aumenta.

-Eu entendo, e sinto muito que tenha que ser assim. Mas você sabe que nem todos na polícia são confiáveis como você.

-Sim eu sei. Mas vamos ao que importa agora. Pegamos Lamar com as drogas. E quanto ao Crane e o laboratório?

-Crane fugiu com um de seus guarda-costas e sem pista para onde pode ter ido. Encontrei cobaias humanas para testar as drogas de Crane. Isso tem que acabar agora.

-Já mandamos aquelas pessoas para serem tratadas. E esse laboratório será lacrado. A propósito, Crane tinha uma operação e tanto aqui.

-O que é estranho. Crane limpou sua conta bancária antes de desaparecer, mas pelo que me consta ele não tinha tanto dinheiro e o equipamento encontrado aqui é bem caro, sem contar a matéria-prima de suas drogas. Crane deve estar sendo financiado por alguém.

-Isso explicaria  também o envolvimento do Arrasa Quarteirão. Crane não teria como ter ligação com esse tipo de criminoso, ele era só um cientista até pouco tempo.

-Concordo. No momento não há pista sobre seu paradeiro, mas vou encontrá-lo Gordon, e aí algumas explicações serão dadas.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

Na cobertura de um luxuoso hotel próximo a Tricorner Yards, em uma sala ampla e elegantemente decorada, um homem de baixa estatura, cabelos penteados para trás e um nariz tão grande que visto de perfil lembra o bico de uma ave, está sentado fumando com nervosismo. Ele informa sua secretária de que o homem que chegou pode entrar. O visitante de cabelos compridos e cavanhaque entra na sala.

-Parece que tiveram problemas com o Batman, diz Cobblepot. -Mas pelo visto foram rápidos para fugir.

-Sim, foi uma grande surpresa a chegada de Batman. Consegui fugir com Crane, mas seu laboratório está acabado. Crane agora está perdido. Ele não tinha um plano de fuga. Então o levei para uma de suas propriedades e o deixei lá enquanto vinha até a cidade buscar mantimentos …

-O que? Você ficou maluco?

-Senhor não há o que temer, lá no meio daquele mato só existem algumas casas velhas e abandonadas. E não há como ligá-las ao senhor. E ninguém nunca nos encontrará lá.

-Assim como o Batman não achou o laboratório? diz Cobblepot com sarcasmo. Antes que o homem responda ele emenda. -E qual a notícia boa? Se é que há alguma.

-Bem, descobri que ao que parece Crane escreve suas fórmulas químicas em diários. Ele não utiliza computadores, não é afeito a muita tecnologia.

-Diários? Mas que diabos, esse Crane é mais maluco do que eu imaginava. Mas o que você descobriu de bom? Cobblepot dá bastante ênfase na última palavra.

-Essa era a boa notícia, as fórmulas estão lá. Eu o vi escrevendo, porém quando peguei um dos cadernos não entendi nada…

-Não esperava que você fosse um gênio da química.

-Não é isso, responde o homem sem se abalar. -Está tudo escrito em código. Um código bem estranho, com caracteres que eu nunca vi. Por isso ele nem se dá ao trabalho de escondê-los. Conheço alguém que poderia auxiliar a decifrar o código. Ele adora enigmas…

-Isso não importa mais agora. Crane é um foragido e está fragilizado. Diga a ele que temos uma nova proposta e que ele entre em contato o quanto antes. Essa intervenção do Batman acabou por nos ajudar.

batman_the_dark_knight_rises_logo_by_elatik5-d56ybp3

No dia seguinte, já passando duas horas após o meio-dia, o bilionário empresário e filantropo Bruce Wayne se prepara para desempenhar o papel de alto executivo da Wayne Tech, a empresa de tecnologia de ponta criada por ele três anos atrás, e também o de presidente da Fundação Wayne, instituição filantrópica fundada por sua família a mais de cem anos. Ele desce as escadas da mansão e se dirige para uma sala repleta de monitores ligados a computadores e emissoras de televisão de todo o mundo. Alfred já está lá dentro e tem algo mais além de chá para lhe receber.

-Patrão Bruce o senhor precisa ver isso.

Na noite anterior Alfred ficou sabendo de tudo que havia acontecido no laboratório, as cobaias humanas, a fuga de Crane, uma morte. Bruce Wayne olha atentamente para um dos monitores ligados ao noticiário local. Nele o ancora do jornal diz:

-Em instantes. O doutor Arkham conta tudo sobre o agora fugitivo da polícia doutor Jonathan Crane. Ele contará como foi procurado pelo criminoso alguns meses atrás. Crane foi descoberto por Batman em um laboratório para fabricação de drogas na noite de ontem…

Bruce Wayne e Alfred Pennyworth trocam olhares cheios de incredulidade, surpresa e desconfiança. Um misto de sentimentos que só transparecem nos olhos de velhos conhecidos quando ambos sabem que algo está errado.

Anúncios

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s